Como Fazer um Bom Controle Financeiro em 3 Passos? [Guia Completo]

Featured

Sou Gustavo Hermont, do Investidor Sem Grife, e neste artigo vou guiar você passo a passo para montar um controle financeiro realmente eficiente — sem fórmulas mágicas, sem discurso de “economizar com salário mínimo” e com técnicas práticas que eu uso nas minhas consultorias. Vou compartilhar o método que chamo de Planejamento Financeiro 3D: controle de despesas, compartimentalização e investimentos. Se você seguir essas três etapas com disciplina, vai ver sua vida financeira mudar da água para o vinho.

Resumo rápido: o que você vai aprender

  • Por que controlar despesas não é suficiente — e quais são as três áreas essenciais da sua vida financeira.
  • Como criar o hábito do controle em 5 minutos por semana.
  • O que é compartimentalização e como ela evita que você gaste o que deveria poupar.
  • Onde deixar a reserva de emergência e por quê (liquidez + segurança).
  • Como estruturar investimentos de longo prazo sem cair na tentação de resgatar para gastos impulsivos.
  • Dicas práticas para aumentar sua receita quando for necessário.
  • Checklist prático, exemplos e respostas para as dúvidas mais comuns.

Por que falar em controle financeiro é muito mais do que cortar supérfluos

Muita gente pensa que “controle financeiro” é sinônimo de cortar café fora de casa ou cancelar assinaturas. Isso ajuda, mas não resolve a essência. Controle financeiro pessoal gira em torno de três pilares: despesas, receitas e investimentos. Ignorar qualquer um deles é trabalhar com metade do problema.

As três partes são complementares: sem controle de despesas você não consegue saber para onde o dinheiro vai; sem foco nas receitas é difícil gerar poupança suficiente; e sem os investimentos adequados o patrimônio não cresce de forma eficiente para objetivos de médio e longo prazo.

Passo 1 — Controle e Acompanhamento (o passo que exige hábito)

O primeiro e mais importante passo é simples de entender, mas exige criação de hábito: controle e acompanhamento. Sem isso, você estará sempre no escuro sobre o seu custo base mensal e sobre o que realmente gasta no dia a dia.

Entenda seu custo base mensal

Custo base mensal é tudo aquilo que você precisa pagar para sobreviver no mês: aluguel, contas de luz, água, alimentação básica, transporte obrigatório, e compromissos fixos. Saber esse valor de cor muda a percepção sobre quanto sobra para objetivos e imprevistos.

Registre despesas com regularidade — 5 minutos por semana

Você não precisa anotar cada compra em tempo real, mas reserve 5 minutos por semana para lançar as despesas em uma planilha ou aplicativo. Na prática isso é suficiente: inserir entradas de cinema, jantares, compras e as faturas dos cartões garante que você tenha um retrato fiel do mês.

Por experiência com clientes, esse controle inicial é o que mais exige esforço. Criar qualquer hábito novo dói no começo — é como começar a correr: no primeiro dia você se mata, depois vai ficando mais fácil. Com o controle financeiro é a mesma coisa: 5 minutos por semana e você já sai na frente de grande parte das pessoas.

Ferramentas para controle

Você pode usar desde uma planilha simples até aplicativos dedicados. O importante é escolher uma ferramenta que você use com consistência. Se precisa de uma recomendação prática para organizar entradas, saídas, orçamentos e lançamentos automáticos, existem aplicativos que centralizam isso de maneira intuitiva.

Passo 2 — Compartimentalização: a técnica que transforma organização em resultado

Compartimentalização é uma maneira prática de dividir sua vida financeira em “caixas” com objetivos distintos. Essa técnica evita que você misture recursos destinados a propósitos diferentes e previne gastos impulsivos com dinheiro que deveria estar reservado.

As três caixas essenciais

  1. Conta do dia a dia (curtíssimo prazo): onde entra o salário e de onde saem as despesas fixas e variáveis do mês (aluguel, supermercado, contas básicas).
  2. Conta de médio prazo e reserva de emergência: objetivos como uma viagem, a compra de um computador, ou a reserva para imprevistos. Aqui entram produtos com liquidez e segurança.
  3. Conta de investimentos (longo prazo): patrimônio que você não deve usar para compras impulsivas — pensado para aposentadoria, patrimônio para filhos, ou objetivos de muito longo prazo.

Exemplo prático: como distribuir o salário

Imagine que você recebe seu salário na conta corrente A (sua conta do dia a dia). A cada mês, após pagar as despesas fixas, transfira parcelas fixas para:

  • Uma caixinha de médio prazo (ex.: Nubank ou outro produto com divisão por objetivos) — para viagens, compras planejadas, reforma;
  • Uma conta/plataforma dedicada a investimentos de longo prazo — separada da sua conta corrente, para reduzir a tentação de resgate.

Quando você separa o dinheiro por objetivo, fica mais claro quando um objetivo está atendido. Se precisa de R$3.000 para uma viagem, você só embarca quando a caixinha atingir esse valor — simples, direto e eficaz.

Uso de plataformas e produtos financeiros

Para médio prazo e reserva de emergência, o ideal é um produto com liquidez (saque quando necessário) e segurança (proteção ou garantia). Boas opções:

  • Tesouro Selic — segurança do Tesouro e liquidez diária em muitos casos;
  • CDB com 100% do CDI e liquidez diária — proteção do FGC (até o limite por instituição) em muitos casos;
  • RDBs ou caixinhas de bancos digitais com cobertura adequada — verifique a liquidez e o respaldo do produto.

Um erro comum: deixar a reserva de emergência na conta corrente. A conta corrente é para movimentação diária. Colocar reserva lá aumenta a tentação de usar o dinheiro para gastos do dia a dia. Proteja esse dinheiro em um produto com liquidez e que não fique “na sua cara” diariamente.

O papel das “caixinhas” (ex.: Nubank) e por que funcionam

Aplicativos que permitem criar “caixinhas” ou metas são ótimos para compartimentalizar objetivos. Ao visualizar claramente “Viagem R$3.000” ou “TV R$2.200”, você tem disciplina e previsibilidade. Além disso, muitos desses produtos rendem algo acima da poupança — não é o foco principal, mas já é vantagem.

Passo 3 — Investimentos: pense em longo prazo e proteja seu patrimônio

Investimento é diferente de economia para uma viagem. Investimentos são recursos que você destina para construir patrimônio no longo prazo. A recomendação prática é: não mantenha seus investimentos visíveis na conta corrente do banco que você usa para o dia a dia. Porque quando você vê o valor acumulado, a tentação de resgatar aumenta.

Separe plataformas: o que fazer e por quê

Ao usar outra instituição ou plataforma para investir (uma corretora ou banco dedicado a investimentos), você diminui o impulso de gastar. Isso funciona psicologicamente: o dinheiro “sumiu” da sua conta corrente e está aplicado com um propósito de longo prazo.

Horizontes e tipos de investimento

  • Curto prazo/Reserva — liquidez e segurança (Tesouro Selic, CDBs de liquidez diária).
  • Médio prazo — objetivos com prazo de meses a alguns anos (fundos, CDBs com prazo, LCIs/LCAs conforme necessidade).
  • Longo prazo — aposentadoria, legado (renda variável, ações, fundos de previdência, combinação de renda fixa e variável conforme perfil).

Importante: defina o horizonte antes de investir. A volatilidade da bolsa, por exemplo, exige foco de longo prazo; se você pensa em usar parte daquele recurso para trocar de carro daqui a 2 anos, renda fixa ou produtos com proteção podem ser mais adequados.

Receitas: a verdade sobre “é só economizar”

Vou ser direto: nem sempre basta “apertar os gastos”. Há pessoas que têm margem para cortar despesas e melhorar a poupança, mas outras simplesmente não conseguem guardar porque o salário é insuficiente para cobrir o mínimo necessário. Dizer que qualquer um pode poupar uma porcentagem do salário mínimo é, muitas vezes, desconsiderar a realidade.

Por isso, trabalhar o aumento de receita é tão importante quanto cortar despesas. Aumentar a renda amplia sua margem de manobra e possibilita economias relevantes.

Como aumentar sua receita — passos práticos

  1. Invista em qualificação pontual: cursos curtos que agreguem habilidades demandadas pelo mercado (ex.: software específico, marketing digital, certificações técnicas).
  2. Faça freelances: oferta de serviços paralelos pode complementar a renda mensal.
  3. Envie currículos e se candidate a vagas melhores; processos seletivos e concursos podem abrir portas.
  4. Especialize-se: descubra um nicho onde poucos têm habilidade e torne-se referência.

Exemplo real: um amigo designer investiu em um curso específico, aprendeu um software que poucos dominavam e, em alguns meses, saltou de um salário baixo para quase R$5.000. Não foi fácil nem instantâneo, mas foi possível porque houve foco em aumentar a receita.

Rotina prática: checklist semanal, mensal e anual

Checklist semanal (5 minutos)

  • Lançar todas as despesas da semana no sistema (cartões, cash, transferências).
  • Conferir saldo das “caixinhas” e da reserva de emergência.
  • Ajustar pequenas transferências entre contas se necessário (ex.: completar meta da viagem).

Checklist mensal (20–30 minutos)

  • Revisar despesas fixas e variáveis do mês anterior.
  • Avaliar se ultrapassou orçamentos e onde cortar no próximo mês.
  • Transferir o valor destinado a investimentos e médio prazo.
  • Planejar pagamentos futuros (assinaturas, impostos, mensalidades).

Checklist anual

  • Revisar metas de médio e longo prazo (viagem, troca de carro, aposentadoria).
  • Avaliar performance dos investimentos e rebalancear carteira.
  • Planejar aumentos de receita: cursos, consultoria de carreira, mudanças estratégicas.

Erros comuns e como evitá-los

  • Deixar reserva de emergência na conta corrente — aumenta tentação. Proteja em produto com liquidez e segurança.
  • Manter investimentos visíveis na conta do dia a dia — separa plataformas para reduzir resgates por impulso.
  • Não lançar pequenas despesas — somadas, elas corroem o orçamento. Lançar tudo dá controle real.
  • Não investir na qualificação profissional — sem aumento de receita, a margem para poupar continua limitada.

Como definir valores para cada compartimento? Uma sugestão prática

Todo mundo tem realidades diferentes, mas uma sugestão genérica é começar por uma divisão baseada na sua realidade:

  1. Conta do dia a dia: 50–70% da renda (depende do custo de vida e obrigações fixas).
  2. Médio prazo/reserva de emergência: meta de 3–6 meses de custo base mensal (comece reservando 10–20% até atingir a meta).
  3. Investimentos de longo prazo: o que sobrar + contribuições sistemáticas (idealmente 10–20% ou mais quando possível).

Essa é uma estrutura inicial. O importante é ter consistência e priorizar a reserva de emergência até que ela esteja formada — depois disso, você amplia o aporte em investimentos de longo prazo.

Ferramenta recomendada: melhor aplicativo de controle financeiro

Para organizar lançamentos e acompanhar orçamentos, vale conhecer um bom aplicativo de controle financeiro que facilite a entrada de dados e a visão geral. Abaixo, uma apresentação sobre meu trabalho e experiência, que pode ajudar a avaliar recomendações de ferramentas e treinamentos.

Gustavo Hermont é escritor, certificado como especialista em investimentos pela ANBIMA e formado em administração de empresas e possui mais de 9 anos de experiência no mercado financeiro.

Publicou o livro “Fundamentalmente: Lições indispensáveis para Investidores de sucesso” pela editora Alta Books que conta com vários best sellers em seu portfólio, como por exemplo, o livro “Pai rico, pai pobre”. Após 1 ano do lançamento ele está entre os 15 livros mais vendidos da categoria “Dinheiro” da Amazon Brasil.

Em 2024, fundou a Empresa 1P para mostrar como é possível empreender sem depender de funcionários e contando com a automação nos processos.

Também é o idealizador das marcas “Notioncel”, “Investidor Sem Grife”, “I.A. Tracker”, entre outras.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. Posso começar com uma planilha ou preciso de aplicativo?

Comece pelo que você vai usar. Uma planilha bem feita é mais eficiente do que um app que você abandona em duas semanas. Porém, apps facilitam integração automática com contas bancárias, categorização e notificações. O importante é consistência.

2. Quanto devo ter na reserva de emergência?

O ideal é entre 3 e 6 meses do seu custo base mensal. Para profissionais autônomos ou quem tem renda variável, a recomendação sobe para 6–12 meses.

3. Onde devo aplicar a reserva de emergência?

Em produtos com liquidez diária e segurança: Tesouro Selic ou CDBs/RDBs com liquidez diária e, preferencialmente, cobertura do FGC. A caixinha de bancos digitais também pode servir, contanto que ofereça liquidez e segurança compatíveis.

4. Quanto devo investir mensalmente?

Depende da sua renda e objetivos. Uma meta inicial sensata é 10% da renda para investimentos, aumentando conforme a sua margem financeira. O mais importante é a regularidade e o horizonte definido.

5. Ganha pouco — consigo mesmo assim controlar as finanças?

Sim, até um certo ponto. Controle e organização ajudam muito, mas se a renda é insuficiente para cobrir o mínimo, é preciso trabalhar o aumento de receita. Poupar é a combinação de disciplina de gastos + aumento de renda.

6. Como evitar a tentação de usar investimentos para gastos?

Separe plataformas e contas: invista em uma corretora/plataforma diferente da sua conta do dia a dia. Defina objetivos claros para cada aplicação e mantenha a disciplina de não resgatar antes do prazo, salvo emergência devidamente justificada.

Plano de ação em 30 dias — um cronograma prático

  1. Semana 1: Mapeie seu custo base mensal. Liste despesas fixas e variáveis.
  2. Semana 2: Crie o hábito dos 5 minutos semanais. Escolha a ferramenta (planilha ou app) e comece a registrar.
  3. Semana 3: Compartimentalize — abra ou configure contas/caixinhas para médio prazo e reserve a primeira contribuição para a reserva de emergência.
  4. Semana 4: Separe uma plataforma para investimentos de longo prazo e faça seu primeiro aporte, mesmo pequeno. Defina metas: 3–6 meses de reserva e objetivo de aporte mensal.

Conclusão — disciplina vence estratégias mirabolantes

Controle financeiro eficiente não é segredo nem sorte: é hábito, organização e divisão clara de objetivos. O método em 3 passos (controle, compartimentalização e investimentos) é simples e comprovado na prática: com pequenas mudanças você obtém grandes resultados.

Crie o hábito dos 5 minutos semanais. Proteja sua reserva de emergência fora da conta corrente. Separe investimentos de longo prazo em outra plataforma para evitar resgates por impulso. E, se a renda for insuficiente, invista na sua qualificação e em estratégias para aumentar o ganho. Com esses movimentos, você sai do ciclo de aperto e começa a construir uma vida financeira mais próspera.

Se quiser se aprofundar e ter um passo a passo personalizado, o Planejamento Financeiro 3D (treinamento econômico personalizado) é uma opção que condensará tudo isso para a sua realidade, com orientações práticas e acompanhamento.

Boa sorte — e lembre-se: consistência é o que separa quem planeja de quem prospera.


Recursos adicionais e ferramentas recomendadas

Se você gostou deste guia, aqui estão sugestões práticas para avançar nos próximos passos. Use-as como checklist ou inspire-se para adaptar ao seu caso.

  • Aplicativo de Controle Financeiro ou Planilha de controle: crie uma planilha simples com colunas para data, categoria, valor e conta — atualize semanalmente.
  • App de caixinhas: escolha um banco ou app que permita metas/caixinhas para separar médio prazo e reserva.
  • Produto para reserva: procure Tesouro Selic ou CDBs com liquidez diária para manter segurança e acesso rápido.
  • Conta de investimento separada: abra conta em outra instituição ou corretora para reduzir a tentação de resgate.
  • Qualificação: escolha um curso curto e prático que aumente sua empregabilidade ou permita freelances.

Se quiser, você pode transformar esses itens em uma checklist e riscar cada etapa conforme avança. Pequenas conquistas semanais são o que constroem hábitos financeiros duradouros.

Quer ajuda personalizada?

Um acompanhamento direcionado acelera os resultados: revisão de orçamento, estruturação das caixinhas e sugestão de alocação por horizonte. Considere procurar um planejamento financeiro personalizado se preferir orientação prática passo a passo.